quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Elsa Almeida em entrevista à Bússola



Elsa Almeida dá a cara pela MeZcla, um dos principais espetáculos de animação da edição 2012 da Viagem Medieval e sentou-se com a Bússola para nos explicar melhor o conceito do espetáculo, que desenvolveu em conjunto com o Ricardo Ferreira.


Fala-nos de ti. Da tua formação e daquilo que fizeste antes da MeZcla.
«Terminei o curso de Teatro há 3 anos, portanto em 2009, e logo aí fui fazer a Terra dos Sonhos. Nesse ano, estive no Armazém das Cartas.
Depois, já em 2010, a convite do Paulo Leite, fui assistente de encenação do teatro amador no CIRAC e no Fórum de Mosteirô. Em 2010, fui responsável pelo Fórum na recriação medieval de Canelas (Régua) e na Viagem Medieval, em parceria com a Margarida Carretas, assumi a responsabilidade da Mancebia. Em paralelo, estive com o CIRAC no Sítio dos Tormentos, onde continuei como assistente de encenação até Dezembro desse ano. Mas já em 2011 acabei por sair da encenação do CIRAC, mas ainda dei uma ajudinha como atriz.
Entretanto, concorri para dar aulas de Expressão dramática, mas fui continuando com outros projetos. Em 2011 estive fora da Viagem Medieval, mas voltei à Terra dos Sonhos com o Conta-me Histórias do Zoo de Lourosa, local onde estou a fazer a Visita Sensações.
Por último, fiz com o Ricardo Ferreira a encenação da MeZcla, para o CIRAC.»

Formação, sentes que é suficiente?
«Sinto que não tenho formação suficiente e por isso estou com ideias de ir para o Brasil, para apostar mais na formação em representação. Adoro as novelas brasileiras e a forma como eles desenvolvem as histórias e problemáticas da sociedade e quero aprender com eles.»

Qual o papel que preferes Atriz ou Encenadora?
«Atriz, sem dúvida. A coisa que mais gozo me dá é estar em cima do palco.
Aprende-se mais sendo encenadora, mas ser atriz é dar o corpo ao manifesto. Compreender das duas perspetivas acaba por ser uma forma de crescer.
Sendo atriz, podes ser o que tu quiseres. Um dia és enfermeira, outro dia princesa e quando dás por isso já és mendiga. Aprendes imenso sobre o que está á tua volta.»

“Um dia gostava de ser atriz a sério.”

Como chegaste à Viagem Medieval 2012?
«O CIRAC propôs-me apresentar um projeto à organização e acabei por dirigir este espetáculo com o Ricardo Ferreira.»

O que é a MeZcla?
«A MeZcla surge de uma junção de ideias que o CIRAC já tinha, até mesmo de projetos anteriores. Tudo teve por base a conceção de um espetáculo de encerramento, na onda do que os Saltarellus fazem: não tem nada de medieval e tem uma forte carga mítica.
Fizemos pesquisa literária para o integrar ao máximo no contexto da Viagem 2012 e acabamos por encarar D. Sancho I como o povoador, daí os guerreiros e o conceito de união, que mais não é do que o perfeito bem-estar entre diferentes raças.
Acaba por ser um misto de coisas: são criaturas que se geram em casulos; são guerreiros que no início são rivais, mas depois se vão unir. É uma sucessão de ideias… é algo em aberto.»

De onde surgiu o nome?
«Foi uma verdadeira dor de cabeça. Mas acabei por ter esta ideia… e fui ao dicionário. Mescla é a união de duas partes diferentes numa só. Perfeito. Mas queríamos mais. Acabamos por encarar a forte presença espanhola e converter o “s” em “Z” maiúsculo. Pena que este pormenor acabou por ficar perdido nos programas e acabou por ser a Mezcla.»

Quantas pessoas participaram no espetáculo?
«Eram 17 pessoas em palco, mais 1 técnico e 2 encenadores.»

Qual a sensação que ficou?
«É estranho. No geral correu bem, fora uns fogos-de-artifício a mais [sorrisos]. Mas há ideias que não foram bem esclarecidas e/ou entendidas e acabamos por ser vítimas de um “nim”. Foi experiência e deu para aprender muita coisa.»

Foi talvez o projeto mais polémico desta edição. Consegues perceber?
«Do lado do público correu mal. Estávamos no principal cruzamento com a Investida e o nosso público estava ali. Colocaram-se questões de segurança, que se tentaram resolver com a corda e com as limitações de circulação num determinado período, mas bloquearam o acesso ao espetáculo.»

Mas, então, porquê aquele local?
«O nosso projeto inicial era para a escadaria da Matriz, mas acabamos por ser remetidos para outro local e criou-se esta estrutura.»

Projetos futuros, tens?
«Pensar na Terra dos Sonhos e fazer formação no Brasil.»


Texto: Bruno Costa
Coordenação Geral: Bruno Costa e Daniel Vilar

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Encontros com a Música... no Centro de Saúde


«Quero continuar a fazer história no Feirense»

Apresentado esta terça-feira no Estádio Marcolino de Castro, o terceiro treinador da equipa de Santa Maria da Feira na época em curso - depois de Henrique Nunes e Bruno Moura - foi claro quanto aos objetivos que pretende concretizar.

«O Feirense é um clube onde fiz história e quero continuar a fazer», afiançou, admitindo que não contava voltar «tão cedo» ao cargo que abandonou à 27.ª jornada da temporada transata.

«Não vamos voltar a falar em subida de Divisão. O nosso objetivo passa por somar os três pontos jogo a jogo. Há muito valor e qualidade no plantel, mas é preciso criar uma mentalidade ganhadora», realçou.

O presidente Franklim Freitas justificou a aposta em Quim Machado por tratar-se «de um homem da casa, que tem muita vontade de triunfar no Feirense». 

@ A Bola

sábado, 29 de setembro de 2012

Feirense vs União


Marionetas da Feira estreia "Vozes de Burro" em Alcochete

Marionetas da Feira estreia, hoje, em Alcochete o novo espectáculo Vozes de Burro.
 

'Vozes de Burro...'
Como se diz desde a fundação da pátria, vozes de burro não chegam aos céus. Será isso totalmente verdade?
A história de um bispo muito severo mistura-se com as tropelias de um monge bastante guloso, que conhece uma princesa muito coitadinha e pecadora, que por sua vez trata o diabo por tu. Uma novela medieval carregada de humor, castigos e muita balbúrdia.
Como tradição da Idade Média a história é contada com bonifrates por um frade sábio e punidor, vestido a rigor com a sua guarita medieval acastelada.
Original: Marionetas da Feira
Concepção e produção: Rui Sousa, Telma Pedroso e Lino Sousa.
Técnica: marionetas de luva.
Duração: 30 minutos.
Público: familiar.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Bloggers de Viagens levam a Viagem Medieval a todo o Mundo



The Medieval Journey in the Land of Santa Maria is one of the main historical reenactment events in Europe! While taking part, take also the opportunity to get to know and visit our region’s tourist resources.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Quim Machado regressa ao Feirense

Franklim Freitas decidiu-se por um treinador que lhe oferece um conjunto de garantias significativo. O técnico minhoto regressa assim a uma casa em que já foi feliz e deixou a sua marca. 


Apesar da natural pressão exercida por vários agentes do futebol, que fizeram desfilar pela mesa de trabalho do presidente fogaceiro um vasto conjunto de propostas, na hora de escolher o próximo treinador, o líder do Feirense equacionou todas as vertentes da decisão. 

Dentre os disponíveis, havia nomes sonantes e outros com menor currículo, mas a avaliação de Franklim Freitas centrou-se na premissa habitual do Clube: aliar a qualidade pretendida ao valor que a Direcção pode pagar. Por isso, a vertente custo-fineceiro também se revelou importante no sentido da opção exercida. 
A tal pragmatismo, o Presidente da Direcção acrescenta ainda outros argumentos decisivos para a escolha de Quim Machado, ponderando que trata-se não só de um treinador que deixou marca no Clube, com a subida à 1ª Liga, como de alguém que conhece bem a estrutura, a realidade do Feirense e –muito importante –a maior parte dos jogadores do plantel, de cujas qualidades é capaz de tirar o máximo proveito a favor da equipa. 
No argumentário do Presidente, avulta ainda a perspectiva de – com Quim Machado – a equipa poder vir a atingir os níveis de qualidade exibicional que patenteou na época passada. 
Franklim Freitas – que para esta tomada de decisão conta com o apoio expresso do Presidente-Adjunto, Rodrigo Nunes – vai proporcionar a Quim Machado um contrato de um ano. 
O novo técnico - que está ainda na Hungria a ultimar a desvinculação do Vasas de Budapeste – deverá começar a trabalhar já no início da próxima semana. Até lá, a Direcção continua a confiar o grupo de trabalho ao prof. Nuno Santos, que voltará orientar a equipa no próximo domingo, aquando da recepção ao União da Madeira.

Noite Europeia dos Investigadores no Visionarium

A juntar às 14 velas que representam a já longa existência daquele que foi o primeiro Centro de Ciência do país, construído de raíz,  teremos um programa recheado de atividades onde a Ciência se mistura com a Arte e a Gastronomia.
dia 28 de Setembro, a partir das 18H00 e até onde o cansaço nos leve o Visionarium abre portas a todos aqueles que desejem conhecer o outro lado da ciência e contatar com cientistas e pedagogos de diferentes áreas, numa atitude de descoberta, de experimentação e muita alegria.
Venha comemorar connosco a Ciência.


PROGRAMA (entrada livre)
18:00–22:00 Investiga Ciência (Planeta Verde, Chupa-chupas e Super Poderes)
18:00–00:00 Slide e Escalada no Campo Cinético
18:00–19:00 Workshop de Gelificação*
19:00–20:00 Workshop de Emulsões e Azoto Líquido*
21:00–22:00 À conversa com … Chef Renato Cunha do Restaurante Ferrugem e Prof.ª Doutora Ana Barros do Dept. Química da UTAD
22:00 – 22:10 Espetáculo de Dança pela Companhia All About Dance
22:00–23:00 Sessão de Poesia pela Onda Poética alusiva ao tema Biodiversidade com a participação da Dra. Sofia Reboleira do Dept. Biologia da UA, com acompanhamento musical dos guitarristas Jorge Carvalho e Rodrigo Tavares
23:00–23:30 Cantar dos Parabéns ao Visionarium
23:30–00:30 Exibição de Mixologia
* Participação sujeita a pré-reserva; nº limitado de participantes.

Inscrições
Tel. 256 370 605/9 |E-mail. info.visionarium@aeportugal.com

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fundação Terras de Santa Maria é a melhor público-privada do país e perde os apoios

A Fundação Terras de Santa Maria, "a melhor público-privada no estudo encomendado pelo Governo", é uma das que vai perder todos os apoios do Estado, mas garante que a sua atividade não será afetada com a medida.
Entidade titular do ISVOUGA - Instituto Superior do Entre Douro e Vouga, a Fundação foi criada em 1990 como estrutura público-privada, propondo-se organizar cursos, colóquios e eventos de formação profissional de reciclagem contínua ou recorrente, assim como realizar ações culturais e de investigação científica pura ou aplicada, atribuir bolsas de estudo e patrocinar intercâmbios entre países de Língua Portuguesa.
Fonte da administração da Fundação garante que essa não recebe "qualquer tipo de fundos" da Câmara Municipal da Feira, que integra o seu conselho de fundadores, e adianta que, mesmo no que se refere aos apoios do Estado, entre 2008 e 2010 esses ficaram-se pelos 157.794 euros e destinavam-se sobretudo a comparticipar estágios profissionais.
É com base nesses números que a mesma fonte garante: "Sendo a Fundação autossubsistente, uma vez que a percentagem dos apoios financeiros públicos em relação ao total de proveitos nos últimos anos é de 2,6 por cento, esta medida [do corte de apoios do Governo] não irá afetar a sua atividade normal".
"Desde a sua criação em 1990, a Fundação Terras de Santa Maria não obtém qualquer tipo de subvenções ou apoios financeiros públicos, nem da autarquia nem do Governo Português", assegura a referida fonte da administração. "Alguns apoios pontuais indiretos são exceções, nomeadamente a comparticipação do Instituto do Emprego e Formação Profissional em estágios profissionais e apoios comunitários para a realização de Cursos de Especialização Tecnológica".
É por esse motivo que António Cardoso, presidente da concelhia do PS na Feira e líder de bancada na Assembleia Municipal, considera que "o corte cego do Governo é lamentável".
"A realização de estágios e a atribuição de bolsas de estudo é particularmente importante nesta fase", explica, "e o corte do Governo só vem prejudicar os mais fracos, logo agora que há estudantes em grandes dificuldades económicas e em que mais é preciso apoiá-los no arranque da sua vida profissional ativa".
Sobre a Fundação do ISVOUGA em específico, António Cardoso considera que essa tem feito "um trabalho meritório"; sobre a generalidade das medidas afetando as fundações nacionais, o socialista defende que "faz falta mais esclarecimento, para se saber por que é que umas sofreram cortes muito profundos, outras cortes mais suaves e outras ainda são totalmente intocáveis".
A Fundação Terras de Santa Maria foi criada pelo município da Feira, por personalidades do meio académico e por várias empresas da região do Entre Douro e Vouga - que, além do concelho-fundador, integra também os de S. João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca.
No estudo do Governo de avaliação às 190 fundações existentes no país, foi considerada a melhor fundação público-privada do país e obteve a sétima melhor posição na classificação global. Os critérios adotados foram a sua pertinência/relevância, a sua eficácia e sustentabilidade.
Reconhecida como de Utilidade Pública, evoluiu de um património inicial de 25.000 euros para dois milhões e 202.000 euros em 2010, servindo um universo global de 20.432 pessoas. 

Liliana Salomé em entrevista à Bússola



Continuando a aventura das entrevistas aos intervenientes da última edição da Viagem Medieval em Terra de Santa Maria estivemos à conversa com Liliana Salomé, a responsável pelo projeto artístico incluído no espaço Sentir do Guerreiro, em plena subida para o Castelo.

“Foi fixe!”

Antes de compreender o conceito que está por trás deste espaço singular nesta edição da Viagem Medieval, façamos uma nova viagem no tempo. Torna-se essencial a conhecer do percurso artístico desta jovem, de forma a compreender as potencialidades deste e de futuros projetos artísticos. Para isso, e dada a grandiosidade do currículo, deixemos cair o discurso direto, pelo menos nesta fase.
Liliana começou a tocar piano aos 4 anos, em França. O seu percurso regeu-se desde cedo pelas normas mais clássicas, como a própria afirma: sempre me «ensinaram a andar na linha».
Mais tarde, já em Portugal, na Academia de Música estudou acordeão e voz/canto, seguindo-se um percurso ligado à ópera, onde compreendeu enormemente este submundo artístico, com enormes mais-valias para o sem projeto nos anos seguintes.
Há mais de dez anos, integrou a Companhia Portuense de Ópera, tendo participado na produção original para a Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, um projeto «vivido intensamente» por todos os intervenientes. Pela primeira vez, Liliana sentiu grandemente a sensação de perda aliada ao fim destes projetos mais arrojados. Mas voltou com novidades.
Pouco tempo depois fez a Carmina Burana, mas a ópera tinha um problema para a jovem: «os outros sonham e tu fazes o que eles querem». E assim se começou a desenhar um novo rumo.
Seguiu-se o Grupo de Teatro Renascer (Esmoriz), onde fez teatro de revista, uma nova e importante escola para um percurso tão polivalente. Como representante deste grupo, levou a sua voz a França e abriu portas a novas experiências e oportunidades.
Integrou a equipa do Teatro Sá da Bandeira, onde foi cantora, atriz e bailarina, tendo mais tarde assumido a direção de produção da Companhia Teatral Portuense.
Ingressou na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, no curso de Teatro e Artes Performativas, onde teve a oportunidade de executar inúmeros projetos.


Em 2009, chegou à Terra dos Sonhos, no papel de «secretária» do Pai Natal, numa plataforma onde os meninos ficavam a saber se estavam aptos a receber os seus presentes no Natal e que fez imenso sucesso.
Seguiu-se uma paragem no Centro de Criatividade da Póvoa do Lanhoso, onde desenvolveu uma residência artística de 3 meses, com envolvência plena da população e voltou a viver intensamente um sentimento de pertença extrema a um local, vivenciando a dura barreira da perda e da despedida.
Em 2010, integrou a equipa do “Fossado”, na Viagem Medieval. Ainda nesse ano, lançou um novo projeto em parceria com Saphir Cristal: Trapos com Histórias, um conceito que está mais vivo do que nunca, procurando novas abordagens de interação com as crianças quer seja na versão musical ou na versão encenada. Ainda neste âmbito, estabeleceram uma parceria com a LIPOR, levando a “Monstra do Lixo” a várias escolas do Porto.
A partir desta altura desenvolve um projeto de estátuas vivas, que a levou a várias paragens em Portugal.
Ainda em 2010, regressou à Terra dos Sonhos, onde voltou a ser secretária do Pai Natal, num novo espaço: a gruta da Quinta do Castelo.
Em 2011 regressou à Viagem Medieval, tendo integrado a equipa do” Honra e Glória” e participou na Terra dos Sonhos com o projeto “Conta-me Histórias”, do Zoo de Lourosa.
Já este ano, participou na curta-metragem: “Castelo Mágico”, organizou o Festival de Estátuas Vivas de Vila Real e chegou à Viagem Medieval com o projeto “Sentir do Guerreiro”.

Posto isto, passemos às questões e à compreensão do projeto que a trouxe à Viagem Medieval 2012.

Como chegaste à Viagem Medieval em 2012?
Liliana é perentória na afirmação: «por convite da Feira Viva». Depois dos inúmeros projetos anteriores em produções para a empresa municipal feirense, o convite surgiu: «pediram-me para mudar o conceito dos últimos anos, utilizando novas ideias e perspetivas, sabendo de antemão que a maior parte do público para a componente teatral é infantil». Assim, «baixamos a idade alvo» para o espetáculo/circuito e decidimos que «os participantes tinham que se sentir mais guerreiros». «Pretendia uma fuga às tradicionais lutas» (e salvamentos de donzelas). Com isto, «fui fazendo o conceito no percurso que estava pré-definido».

Destacas algum momento desse percurso?
«A peculiar Iluminação particular da fada. Quando vi aquele local com aquela luz, conseguida pelo sol, não tive dúvidas da sua utilização… dá um lado poético ao circuito».
O conceito daquele local permitiu uma integração única. «A Fada cria uma cena mágica. Sabes que nunca vais encontrar uma fada verdadeira, mas que as há, lá isso há».
Há, ainda, o destaque para um momento muito concreto. «A poção mágica despertou muitos comentários entre os participantes, em especial a obrigatoriedade de a beber, por entre sopros mágicos e palhinhas».

Porquê um espírito tão aventureiro logo ao início do espetáculo e após a aventura nas pontes?
«O início mais assustador serve para eliminar o síndrome “eu já fiz grande cena ao passar a ponte, agora tudo é fácil”… e não é. Queria que ficasse aquele friozinho no estômago. Quando eu dizia: eu tenho medo de passar a porta, era esse mesmo o objetivo. Queria um clima algo assustador».

Mas conseguiste mais do que isso, certo?
«Sim, há ainda o pormenor da interação entre os guerreiros, potenciando conversas e criação de laços… para um percurso onde os adultos são dispensáveis».

Porquê um Rei Anão?
«É uma questão de participação social. Já que não podia recorrer a ninguém de cadeira de rodas, com muita pena minha, optei por uma outra situação de integração.
Tudo isto nasceu de uma semana de participação num projeto com a APN – Associação Portuguesa de Doentes Neuromusculares, onde a intensa partilha com 6 fantásticas senhoras, lindas e divertidas me despertou a consciência para este tipo de problemáticas e a necessidade de agir, alterando a perceção social das coisas.»

“Tu és pequenino, mas és o Rei… és tu quem vai condecorar os guerreiros.”

E a questão da assinatura dos participantes, no final?
«À saída, deixamos um livro de assinaturas, que nasce da vontade de criar um registo de participação. Na impossibilidade de ser um diploma, invertemos o conceito e ficamos com um livro de participações, dos valentes guerreiros de Santa Maria».

E contar histórias na Viagem Medieval, num registo semelhante ao que fizeste na Terra dos Sonhos?
«Eu ia adorar».

Há projetos na manga?
«Para já a aposta será nos Trapos com Histórias.»

Não abrindo muito o jogo, Liliana deixa em aberto um futuro promissor e voltaremos, sem dúvida, a contar com ela nos projetos artísticos de Santa Maria da Feira.


Texto: Bruno Costa
Coordenação Geral: Bruno Costa e Daniel Vilar

terça-feira, 25 de setembro de 2012

BE: Funeral do Governo junto às Finanças de Santa Maria da Feira

Bloco de Esquerda realizou na 3a feira, 25 de setembro, o funeral do governo junto às finanças de Santa Maria Feira.

Viagem Medieval finalista do Prémio “Welcome to Portugal”

A Viagem Medieval em Terra de Santa Maria é um dos cinco finalistas candidatos ao prémio “Welcome to Portugal”, iniciativa do subcomité LIDE Turismo e Gastronomia.
O galardão visa distinguir as iniciativas nacionais que envolvam as populações locais, promovam o destino Portugal e se constituam como um cartão-de-visita do País. O vencedor do prémio é conhecido este sábado, dia 29 de setembro, numa cerimónia a realizar no Hotel Tivoli Victoria, em Vilamoura. 
Das 35 candidaturas recebidas, o júri do concurso restringiu a análise a cinco, consideradas agora as finalistas: Viagem Medieval em Terra de Santa Maria da Feira, Casas Brancas, Herdade do Esporão, Parques de Sintra e Terreiro do Paço.

Feirense: Bruno Moura deixa comando técnico

O treinador Bruno Moura rescindiu hoje por mútuo acordo o contrato com o Feirense, informou o clube da II Liga na sua página oficial, depois de ter conseguido apenas dois pontos em quatro encontros.
Segundo o presidente do Feirense, Franclim Freitas, "os maus resultados nos últimos jogos" estiveram na origem da rescisão amigável do contrato.
"As ideias entre o treinador e a direção são dissonantes e o melhor para Bruno Moura e para o Feirense é a rescisão amigável", referiu.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Olimpíadas da Física: João Correia conquista medala de ouro


A equipa portuguesa que se apresentou em Granada, Espanha, para competir nas XVII Olimpíadas Ibero-americanas de Física, voltou para casa com uma medalha de ouro, uma medalha de prata e uma medalha de bronze.

Os líderes de equipa que acompanharam a delegação lusa a Espanha, os professores Fernando Nogueira e Orlando Oliveira, fazem um balanço muito positivo: “É um ótimo resultado, ficámos separados da segunda medalha de ouro por algumas décimas, o que seria um resultado histórico. Portugal obteve os 2º e 7º lugares da classificação geral, o que é excelente.”

Os docentes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) destacam “o bom desempenho dos portugueses na prova experimental, que os próprios alunos atribuíram ao seu trabalho de preparação ao longo do ano, para além da escola".

"É preciso recordar que a componente experimental do ensino secundário português é praticamente inexistente, ao contrário do que se passa noutros países”, sublinharam os docentes em comunicado de imprensa da FCTUC.
A medalha de ouro foi conquistada por João Ricardo Pais Correia (Escola de Santa Maria da Feira), a de prata por Pedro Manuel Vianez (Escola Eça de Queirós) e a de bronze por João Nuno Pereira Lourenço (Escola Filipa de Vilhena, Porto).
 

domingo, 23 de setembro de 2012

Concurso de fotografia no facebook do Município

Para assinalar o Dia Mundial do Turismo (27 de setembro), a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira vai lançar um concurso de fotografia sobre Santa Maria da Feira, as suas atrações, equipamentos turísticos e principais eventos.

O concurso terá início a 27 de setembro e tem como destinatários todos os profissionais e amadores de fotografia, portugueses e estrangeiros, residentes em Portugal. As fotografias devem ser enviadas para comunicacao@cm-feira.pt, de forma a serem publicadas no facebook da autarquia feirense. Cada concorrente poderá enviar até um máximo de 5 fotografias no formato JPEG ou PNG.
Para além de assinalar o Dia Mundial do Turismo, este ano subordinado ao tema ”Turismo e sustentabilidade energética”, a autarquia pretende com a realização deste passatempo fomentar a observação, a descoberta e a revelação do património natural e edificado de Santa Maria da Feira, promover turística e institucionalmente os equipamentos turísticos e eventos culturais do Concelho, promover e registar a partilha de diferentes sentires e olhares sobre Santa Maria da Feira, nas suas mais diversas vertentes e orientações.
O regulamento do concurso poderá ser consultado neste portal a partir de 27 de setembro.

Viatura dos Bombeiros de Lourosa despistou-se e dois bombeiros ficaram feridos

Um acidente com uma viatura dos Bombeiros de Lourosa, em Santa Maria da Feira, provocou um ferido grave e um ligeiro. Os operacionais dirigiam-se para o combate às chamas, quando a viatura se despistou na zona de Canedo, por volta das duas e meia da tarde de ontem. Os dois feridos sofreram fracturas nos membros inferiores e estão internados no hospital de Santa Maria da Feira. O que sofreu ferimentos mais graves foi operado e está na unidade de cuidados intensivos. O outro está internado na unidade de cuidados continuados. 

@ RTP

sábado, 22 de setembro de 2012

Quase meia centena de espetáculos nos Encontros com a Música

Para assinalar o Dia Mundial da Música (1 de outubro), o Município de Santa Maria da Feira promove, pelo terceiro ano consecutivo, o evento “Encontros com a Música” que inclui a realização de cerca de cinquenta espetáculos, entre 1 e 7 de outubro, em diferentes locais do Concelho, todos eles protagonizados por grupos e associações locais.


No dia 1 de outubro, a programação arranca com o espetáculo “Pedro e o Lobo”, pelo Teatro de Sombras, no Museu de Santa Maria de Lamas, às 10h00 e 14h30 (este espetáculo repete nos dias seguintes) e com o concerto de Paulo Dávila, no Centro Escolar de Louredo, pelas 10h00. Pelas 18h00, a Unidade de Saúde Familiar Santa Maria da Feira vai ser palco do espetáculo de Violino e Piano, por Francisco Pinto e Cristina Santos, respetivamente. Às 21h30, haverá Clarinetíssimo Ensemble, nos claustros do Museu Convento dos Lóios e, pelas 22h00, Pedro Piaf atua no Transat II.

No dia 2 de Outubro, pelas 10h00, a EB 2,3 de Lobão vai ser palco de um concerto dos Dr1ve e o Castiis, em Sanguedo, palco do espetáculo “Viver a Música”, com Manuela Ferreira e Olga Ferreira. As Termas das Caldas de S. Jorge acolhem, pelas 11h30, o concerto Thr3bone, por Élson Pinho, Fábio Matos e Renato Reis. Durante a tarde, 14h30, o Coro do Centro de Dia d´o Abrigo atua no auditório da Junta de Freguesia de Santa Maria de Lamas.

Joana Andrade e os Dagma dão um concerto na EB 2, 3 Argoncilhe, no dia 3 de outubro, pelas 10h00. Neste dia, haverá ainda, pelas 11h00, Música para a primeira Infância, pela Escola de Música de Canedo, na antiga escola primária de Framil Canedo.

A 4 de outubro, pelas 11h45, Ricardo Azevedo atua na EB 2,3 do Cavaco. Às 12h45, Élson Pinho, Fábio Matos e Renato Reis apresentam Thr3bone, na cantina da Câmara Municipal. Pelas 18h00, um concerto de Suzuki de Violino, pelo Orfeão da Feira, será palco no hipermercado Pingo Doce. Destaque também para o III Encontro de Coros, na Igreja dos Passionistas, pelas 21h30, evento que conta com a participação da Juventude de Sanguedo, Cirac – Paços de Brandão, Associação Musical Oleirense, CCR Orfeão da Feira e da Casa da Gaia – Argoncilhe. Música na Alma é o nome do concerto que encerra este dia, pelas 22h00, na Praça Gaspar Moreira.

No dia 5 de outubro, a Banda Musical de S. Tiago de Lobão, Banda de Música dos bombeiros Voluntários de Arrifana, Banda Marcial do Vale e a Sociedade da Banda Musical de Souto dão voz ao XII Encontro de Bandas, pelas 15h00, no Monte da Senhora da Piedade, em Canedo. Pelas 21h30, no Museu de Santa Maria de Lamas haverá um Ensemble de Clarinetes e uma Orquestra de Cordas, ambos pela Academia de Música de Paços de Brandão. Um concerto de Bandas de Garagem (The Blind,100sentidos e Twinchargers) no cineteatro António Lamoso marca também esta noite, bem como a atuação da Tuna de S. Paio de Oleiros, na sua sede.

No dia 6 de outubro, a Tuna Feminina do Isvouga atua, pelas 8h00, no Mercado Municipal de Santa Maria da Feira. A partir das 14h00, haverá uma Demonstração de Instrumentos, pelo Grupo Musical Estrela de Argoncilhe, no Largo da Igreja de Argoncilhe. Também às 14h00, a Tuna Académica do Ispab – Loco-Mui-Tuna, atua na Casa Ozanam, enquanto a Academia de Música de Paços de Brandão apresenta Flaututti no hospital S. Sebastião, às 14h30. Pelas 15h00, David Xavier apresenta um espetáculo na Associação do Centro Social de Escapães, a Tuna Académica do Isvouga – Partituna – atua no Centro Social de Souto e o Centro de Cultura e Desporto de Fiães apresenta “Chapéus à muitos” na Associação Pôr do Sol, em Mosteirô. Pelas 18h00, Banda Juvenil do Vale atua na Praça Gaspar Moreira. A noite é pontuada pela realização de três espetáculos, com início às 21h30: Mediaevus Chorus – Coral Polifónica da Cruz no Museu de Santa Maria de Lamas; Orquestra Sinfónica de Jovens da Feira na Igreja de Rio Meão; “Chapéus à muitos” no Centro de Cultura e Desporto de Fiães (Música Tradicional Portuguesa).

O dia 7 começa com a atuação do A Rua´Da, no Largo da Feira de Santa Maria de Lamas, pelas 10h00. Durante a tarde, 15h00, a Academia de Música de Paços de Brandão apresenta Violiníssimos, no Zoo de Lourosa, e o Museu do Papel é palco de um concerto do Quarteto Saxofour (Ana Sousa, Jessica Belinha, Mariana Silva e Miguel Pereira). À mesma hora, a antiga escola primária de Framil, Canedo, é palco do concerto “Entre o Clássico e o Jazz”, pela Escola de Música de Canedo. Pelas 16h00, haverá um Arraial Popular, dinamizado pelo GDC Mozelos, no Parque Monte Murado, em Mozelos. A Orquestra Juvenil de Lobão encerra a terceira edição dos Encontros com a Música com um concerto junto à Casa do Moinho, em Santa Maria da Feira, pelas 16h30.

Com os “Encontros com a Música”, o Município pretende envolver os diversos agentes locais ligados à Música, promover a diversidade de formações existentes e a qualidade musical que prolifera no Concelho, bem como descentralizar a oferta cultural, levando espectáculos gratuitos a diferentes freguesias, alguns deles em espaços públicos onde é rara a apresentação de eventos musicais.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

designINSIDE

O tema desta 5ª edição "translating design" diz-nos que o design, enquanto disciplina, é traduzido em objetos, usáveis ou não, decorativos ou utilitários... produtos.
É assim que o design comunica com o público, através dos produtos que resultam do estudo dessa disciplina.
O design, uma forma de comunicação, não apenas de conceitos ou ideologias, como também de identidade e personalidade.

Convidamo-lo a estar presente em mais uma edição da designINSIDE e a descobrir os novos criadores e coleções que passarão a estar patentes na ivomaia [designers] design gallery.
Mais design e mais criadores nacionais!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Museu do Papel partilha experiências na Croácia com outros museus premiados


Na qualidade de “Melhor Museu Português de 2011”, o Museu do Papel Terras de Santa Maria, em Paços de Brandão, vai participar na conferência internacional “The Best in Heritage 2012”, que se realiza em Dubrovnik, na Croácia, de 27 a 29 de setembro. O objetivo é partilhar boas práticas e novas abordagens que resultam em casos de sucesso que merecem o reconhecimento do público e dos visitantes.


O “The Best in Heritage” é a única conferência internacional anual que reúne os museus e projetos de conservação premiados pelo seu contributo na defesa do património cultural a nível mundial, assim como dos países e comunidades onde estão inseridos.

São vários os participantes, oriundos de diferentes países e regiões do mundo, que vão apresentar os seus museus ou projetos, destacando-se a apresentação dos galardoados em 2011 com o prémio “Melhor Museu da Europa”, atribuído pelo European Museum Forum, e “Prémio Micheletti”, para além de outras menções nacionais e internacionais de relevo.

O Museu do Papel Terras de Santa Maria vai apresentar-se a 28 de setembro perante os participantes deste encontro internacional como um museu industrial em atividade, em que todas as ações educativas, visitas guiadas permanentes, e produção e fabrico de papel demonstram a simultaneidade que um espaço museológico e industrial proporciona a todos aqueles que o visitam ou participam nas atividades propostas.

Esta característica única do Museu do Papel Terras de Santa Maria foi reconhecida pela APOM com a atribuição do prémio “Melhor Museu Português de 2011” e está na base do convite efetuado pela organização do “The Best in Heritage 2012”, possibilitando a partilha desta forma única de ser museu com outros museus e profissionais de museologia e património de todo o mundo.

Esta 11ª edição do “The Best in Heritage 2012” conta com o apoio de instituições de alto reconhecimento internacional, como a Europa Nostra, o ICOM, o ICOMOS e a UNESCO.



21 de Setembro regressamos à RUAS!


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

João Pinto [Projeto EZ] em entrevista à Bússola

A conversa com o João Pinto, mentor do Projeto EZ e interveniente em múltiplos acontecimentos artísticos ao longo da última década, foi uma caixinha de surpresas, ou talvez não. Havia um alinhamento, mas mais do que isso, fizemos uma conversa informal… por vezes, uma mera troca de opiniões e perspetivas. 


A genuinidade e espontaneidade vivem em cada uma das frases de um jovem que há muito mostrou o que vale e é verdadeiramente um exemplo de dedicação, persistência e capacidade de ultrapassar as limitações para qualquer um de nós. 

Nada melhor do que começar pelo início e perceber as origens e motivações de um percurso tão vasto como o que João Pinto transporta no seu currículo. 
João diz-nos que «tudo começou no Chapitô». «Foi uma escola, mas acima de tudo um carimbo. Por lá aprendi imenso e abriram-se portas, mas a maior formação é a experiência. É na rua, a resolver problemas e situações concretas, que se aprende». 
Mas, «na prática, nasci no Art’Encena, onde fui literalmente lançado aos leões. Foi com eles que fui para a rua experimentar e enfrentar as dificuldades. Foi assim que cresci. No percurso, cruzei-me com Istaminé, que entretanto se separaram, mas pontualmente poderão voltar a cruzar-se. E hoje dedico-me ao projeto EZ». 

Porquê a opção animação em detrimento do espetáculo mais rigoroso? 
«É uma opção apenas. Está dentro de mim… 
Eu nasci para isto com a personagem do bobo, NO Art’Encena. Esta personagem vive inteiramente da comunicação com o público e, ainda hoje, muitos anos depois, me falam dele. Eu estava a sentir e a viver aquilo intensamente, literalmente a improvisar. Era como se fosse real. Consegui estar 2 ou 3 horas na rua, com o público, e pareciam apenas 15 minutos. 
Os projetos desta natureza vivem da força, da essência, da vontade…» 

Poderemos acrescentar que vivem da PAIXÃO! 


“Já faço feiras medievais há 12 anos… começo a precisar de fazer coisas diferentes…” 


A experiência como narrador da Viagem Medieval, em 2010, foi diferente? 
«Foi diferente em tudo, mesmo na formação. Até então nunca tive alguém a mandar em mim, um encenador. Sempre tinha trabalhado em função da liberdade da rua e do público, aqui encontrei um novo desafio, com mais rigor técnico. Foi uma boa experiência, adorei, mas este conceito não me agrada muito». 


“O teatro de rua vive do público… só está quem quer e ninguém tem de pagar bilhete” 
“É essa a essência, a liberdade a espontaneidade…” 


E em relação ao Projeto EZ, encaixa nesse alinhamento mais aberto? 
«Sim, fiz aquilo que gosto, com ligeiros ajustamentos. Fiz inteiramente para mim, porque eu tenho de ser o meu maior crítico». 

Como nasceu o Projeto EZ? 
«Bem, EZ nasceu em 2006, quando saí do Chapitô. Nasceu do sonho… da minha educação em casa: quando tu queres uma coisa tens que trabalhar para ela. 
A minha noção era ter a minha mala às costas e vender o meu produto da forma mais simples. Tudo isto nasceu da construção de um espetáculo que nunca levei para a frente, o “1 palmo de estupidez”… e o projeto vivia disso, seguir-se-ia o 2 palmos de estupidez e por ai adiante. Mas passou, passou, passou… 
Acabei por começar com trabalho que não queria tanto… e agora renasceu tudo. É uma daquelas coisas em que podemos dizer que nos sentimos realizados. Tem um caráter muito meu, uma enorme conotação pessoal. 
Enfim, tudo nasceu do projeto das bicicletas (leia-se veículos), mas não se resume APENAS a isso. Bem, na prática, tudo começou no Facebook. Deixei uma imagem do primeiro protótipo e a reação foi absolutamente positiva. E a partir daí fui por aí adiante». 


“Não sou feliz se não estiver a inventar” 


Porquê o nome EZ? 
«EZ é o início e o fim de “EstupideZ”. Quando estamos a criar algo, a dado momento consideramos sempre que algumas das nossas ideias são estúpidas e vão para o lixo. Mas aí está o erro. Estupidez é não concretizarmos as nossas ideias, é não sermos felizes.» 

Como surgiu o Imaginarius 2012? 
«O EZ que conhecemos nasceu no Imaginarius. Chamaram-me e disseram-me: nós vamos ter de fazer algo para a promoção do festival, queres ser tu a fazer isso? Aceitei o desafio, mas, na prática, o que temos não é nada do que foi pensado. 
Tinha a ideia de usar os veículos numa espécie de pista de obstáculos, mas acabamos por fazer algo mais deambulante e com menos logística. E temos um problema: eu não sou engenheiro. Não poderíamos deixar os veículos ao uso exclusivo do público, daí a mudança. Tivemos a perspetiva de aumentar a interação e a segurança». 

E o público, como o sentes? 
«Não tenho muito a noção da adesão do público. Acabo por não ter a consciência das potencialidades. Só pelo que me dizem…» 

E como nasce O TRABUCO, o inovador projecto para a Viagem Medieval 2012? 
[sorrisos] 
«Foi criado em reunião. Cerca de 3 semanas antes da Viagem Medieval, convidaram-me para uma reunião, com a sugestão de uma proposta para a programação da Viagem. 
A minha ideia para um projeto a este nível seria a criação de uma perspetiva original de algo a solo (tipo Tosta Mista), queria parar para fazer este espetáculo, mas com 3 semanas apenas isso seria quase impossível. Fomos explorando uma ideia solta que estava na minha cabeça e à medida que fui explicando o conceito foi nascendo o que vimos. 
Com isto, tive apenas 3 semanas de intenso trabalho, uma delas à espera do carro de golfe. Mas lá fui preparando tudo e avançando com os figurinos. Foram duas semanas de construção… aquilo que eu realmente gosto!» 

Como partiram para a Viagem? 
 «Começamos por descer a rua da Câmara e lá foi uma faixa das que ambientavam o recinto… fomos logo destruir. 
Sempre consideramos que não era um espetáculo, estávamos num outro alinhamento. Em cada saída, a ideia era vamo-nos divertir! E aos poucos começamos a ver as potencialidades da máquina. 
O nosso objetivo era fazer algo que fosse capaz de fazer encher o olho e de arrancar as máquinas fotográficas dos bolsos do público. 
Não fizemos ensaios, apenas testes de capacidade e segurança. Tudo aconteceu espontaneamente». 

Gostaste do resultado? 
«Gostei deste trabalho, gosto de fazer trabalhos por encomenda. Gosto realmente deste tipo de trabalho, mas, nunca pensei que me cansasse tanto». 

Futuro da engenhoca? 
«Não tenciono vender o Trabuco, até porque o conceito foi criado especificamente para Feira, vive do espaço e das características daqui e não conheço mais feiras com este espaço». 

Saldo da Viagem… 
«Eu senti-me muito bem. 
Por vários motivos: construção da ideia; todas as pequenas coisas em relação à organização; fui bem tratado a todos os níveis… A satisfação e reação do público… Por tudo isto faço um balanço muito positivo». 

Novas máquinas/engenhocas? 
«Existem, eu não quero parar! 
Quero dinamizar o material dos vários projetos, sejam os veículos ou a estrutura para o medieval. Há novas ideias e coisas fantásticas que eu quero construir. Gostava de abordar veículos que marquem a diferença e sejam mais ilusão. Quero construir com mais utilidade para o dia-a-dia e moldar os veículos de forma a poderem ser usados por qualquer pessoa. Gostava de me aventurar noutros veículos. 
Eu considero sempre duas etapas, bem distintas, nos projetos EZ: a construção e o espetáculo. Quero sempre construir ideias impossíveis. Para isso, o meu armazém é só meu… Ali, criam-se coisas fantásticas. Lá tudo é possível, se houver tempo e capacidade para criar». 


“Sou capaz de criar à minha maneira” 

“Eu vivo um dia de cada vez” 
 “Não sou rico mas sou feliz” 


João Pinto mostra-nos uma verdadeira lição de vida e uma intensa e saudável persistência em busca da concretização dos sonhos e dos projetos. Promete novidades para breve: anuncia-se uma nova imagem para o projeto EZ, aliada a uma página web e novas ferramentas de comunicação. E como é óbvio, vemo-nos por aí… Na rua! Para que não escape nada, todas as novidades do projeto EZ estão em atualização permanente na sua página Facebook (www.facebook.com/ezveiculos). Antes de terminar, há coisas que não devem ficar esquecidas. João Pinto deixa um agradecimento especial às lojas “A Novidade” e “Girafa Kids” pela cedência de espaço e apoio incondicional. 


Texto: Bruno Costa
Coordenação Geral: Bruno Costa e Daniel Vilar

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Morreu o cantor e autor Luiz Goes


Nascido em 1933, em Coimbra, Luiz Fernando de Sousa Pires de Goes licenciou-se em Medicina, tendo exercido a profissão de médico dentista em paralelo com a carreira artística. Iniciou-se no fado por influência do tio paterno, Armando Goes, contemporâneo de Edmundo Bettencourt, António Menano, Lucas Junot, Paradela de Oliveira, Almeida d'Eça e Artur Paredes. O cantor Luiz Goes, de 79 anos, uma das referências da canção de Coimbra, morreu hoje em Mafra, nos arredores de Lisboa. 

@ RTP
 

Vanessa deixou os aviões e agora faz bolos com purpurinas

Foi hospedeira de bordo, deu aulas a imigrantes detidos, traduziu cartas de Kofi Annan. Vanessa Marques, 28 anos, criou A Toca do Bolo, em Santa Maria da Feira. 

Foto: P3 (Público)
A vida de Vanessa mudou a 13 de Maio do ano passado. Pela primeira vez, as suas mãos manejavam pastas de açúcar num workshop de cake design. Nunca antes tinha feito um bolo. Quatro meses depois, em Setembro do ano passado, investia no próprio negócio na cidade da Feira sem recurso a empréstimo bancário. Pisou terreno desconhecido, mas arriscou com a noção da realidade. 

Recorreu às suas poupanças, contou com algum dinheiro dos pais. Um ano depois, o investimento está pago e a crise continua a passar-lhe ao lado. “Tem corrido melhor do que pensava. Ora estou a dar formação, ora a vender, ora a fazer um bolo”, conta. E o seu primeiro bolo foi uma zebra sentada num sofá para os anos de um amigo. No seu aniversário, no último, criou um bolo postal com fotos dos amigos convidados para a festa. Um êxito. 

O nome ficou para último. A Toca do Bolo surgiu espontaneamente e o trocadilho funciona. Resulta. Fica no ouvido. A loja está apetrechada com uma cozinha e vende ingredientes, utensílios, artigos para confecção e decoração de bolos, pastas de açúcar de muitas cores, purpurinas comestíveis. E muitas outras coisas. 

Todas as semanas, Vanessa ensina a decorar bolos com imaginação, a fazer cupcakes, queques e biscoitos em formações personalizadas com o máximo de quatro pessoas à volta da mesa. Mais mulheres do que homens, crianças de vez em quando. Não está arrependida da volta que deu à vida. O retorno acontece, sem dívidas às costas. “Não tiro um grande lucro, ou um grande ordenado, mas tenho tudo pago”, garante. A criatividade é aquela parte do cake design que a fascina. “Cada bolo é sempre diferente e isso é sempre um desafio”, diz ao P3. 

Estar muito tempo a fazer a mesma coisa não faz parte do seu modo de estar. Mas em tudo o que se envolve, mesmo que por pouco tempo, empenha-se a fundo. Licenciou-se em Relações Internacionais na Universidade de Coimbra e tirou um mestrado na mesma área na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 

Fez Erasmus em Bruxelas e aí bateu à porta da delegação da ONU. Conseguiu um estágio de um ano a traduzir para português todas as cartas que saíam da ONU dos Estados Unidos, cartas do então secretário-geral Kofi Annan incluídas. “Foi espectacular, foi o primeiro contacto com a acção humanitária. Estava sempre ocupada e tinha tempo para tudo”, recorda. Estudava, estagiava e era babysitter à noite. Tinha pouco mais de 20 anos. 

Da Ryanair aos transportes urgentes 
Regressou e voltou a fazer as malas antes de terminar o curso. Partiu para Praga, para um estágio nos escritórios da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo), através da embaixada de Portugal. Ao mesmo tempo, fazia os trabalhos e estudava para os exames que iria ter em Portugal. Foi hospedeira de bordo, esteve seis meses ao serviço da Ryanair e viveu em Londres. Dos oito aos 15 anos, morou em Antuérpia, na Bélgica. Fala cinco línguas: português, inglês, francês, holandês e espanhol. Durante quatro meses, deu aulas de Português, como voluntária, a imigrantes ilegais num centro de apoio no Porto. 

“Poderá ser defeito meu, mas quando entro num sítio e vejo que é a sempre a mesma coisa, penso sempre que posso aprender coisas novas”, confessa. Pensa e faz. Trabalhou numa empresa de transportes urgentes, em Vila Nova de Gaia, que opera com grandes empresas na Europa. Stress à flor da pele durante cinco meses. Por vezes, em pouco mais de uma hora, tinha de tratar de tudo para que um camião estivesse na estrada carregado de mercadoria em direcção a Espanha ou França. 

“Era um trabalho um pouco stressante porque tudo era sempre urgente”. Estava no turno das seis da manhã às três da tarde. Tinha metade da tarde livre. “Precisava de fazer algo extra”. Matutou no que havia de fazer e na Internet esbarrou com uma formação de cake design em São João da Madeira. Achou piada aos bolos, inscreveu-se e quatro meses depois era empresária por conta própria no ramo. Não sem antes passar pela Istofaz-se, escola profissional de decoração artística de bolos no Porto. E depois Vanessa? O bichinho da área humanitária continua bem vivo...

@ P3

domingo, 16 de setembro de 2012

Que se Lixe a Troika - Mobilização Take 2

Depois da estrondosa adesão a nível nacional às manifestações de ontem, o movimento "que se lixe a Troika, queremos as nossas vidas" volta ao terreno. Aquando da realização do Conselho de Estado, sexta-feira 21 de Setembro, pelas 17h, irá realizar-se nova "força" popular junto à Assembleia da República. Dando mais força à acção, a opção pela multiplicação de pontos de protesto será para repetir.
Assim, Santa Maria da Feira volta a aderir à causa, estando a mobilização marcada para a Praça da República, em simultâneo com a congénere de Lisboa e outros pontos do país.

Evento no Facebook.