segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

2008 num Hospital a rebentar pelas costuras

O número de pessoas atendidas em 2008 no serviço de urgência do hospital de São Sebastião foi de cerca de 158 mil, revelou o presidente do conselho de administração da unidade de Santa Maria da Feira, Fernando Silva.

Os dados «ainda provisórios» registam que 20 mil doentes saíram do internamento durante o passado ano, enquanto o número de consultas externas situa-se próximo das 225 mil (um pouco abaixo de 900 por dia útil).

«Quando se confrontam estes dados com os que foram previstos no programa funcional do hospital, elaborado nos meados dos anos 90, constata-se que o número de consultas já ultrapassou o dobro do previsto, o número de urgências é sensivelmente o triplo, o número de doentes saídos do internamento e de intervenções cirúrgicas foi excedido em cerca de 80 por cento», afirmou Fernando Silva.

Em 2008 foram realizadas 16 mil intervenções cirúrgicas.

A cirurgia do ambulatório registou 5.000 intervenções, 38 por cento da actividade cirúrgica programada.

O bloco de partos teve um movimento global de 2.650 partos.

@ Metro News Porto

12 comentários:

Mafalda disse...

Acho que falta aqui dizer que é um excelente hospital - e, salvo situações pontuais que vão existir sempre, prestam um serviço muito importante e de qualidade a quem vive nesta zona.

Parabéns a todas as pessoas que lá trabalham!

bc23 disse...

Isso é verdade... o objectivo deste post é outro... é já tempo de se dar resposta às carências... venha a expansão do HSS.

Anónimo disse...

Um excelente hospital? Baseado em quê? Para começar as estatísticas estão mal feitas e não percebo como os meios de comunicação social deixam passar em claro esta situação. Uma sugestão, as estatísticas referem que 20 mil sairam do internamento, pois bem: alguma vez foram contabilizados aqueles que voltaram ao hospital?eu fui um caso, e acreditem, como eu há muitos.
Depois, alguma vez um hospital "referência" paga a medicos cubanos, brasileiros, espanhóis, africanos cerca de 4€/hora?Admirem-se, é que há falta de melhor, contrata-se os mais baratinhos, claro...a qualidade paga-se!
Por último, alguma vez foram contabilizados o nº de doentes que deram entrada no HSS e tiveram de ser "reenviados" para um hospital melhor (sao joao, santo antónio, HUC, Aveiro)?, por, digamos, incapacidade e falta de "conhecimento" dos que cá estão?

bc23 disse...

«incapacidade e falta de "conhecimento" dos que cá estão»... bom isso é rebaixar um hospital que como qualquer outro tem áreas em que há maior especialização... e valências que não são exploradas. Porque será que a nível cardíaco o Hospital de Gaia é a referência e não vai tudo para o São João?
A verdade é que nasceu há 10 anos um hospital básico, que em meia dúzia de anos conseguiu grandes inovações... também é verdade que dá grande valor à economia de recursos, que por vezes não é a melhor opção... mas hoje temos um hospital de excelência que se consegue assumir os mais elevados padrões de qualidade internacionais. Temos áreas de grande especialização como a oncologia, oftalmologia e ortopedia... neste último caso com grandes inovações a nível internacional.
Neste, como em todos os hospitais há casos de insucesso... não podemos olhar só para o que corre mal, mas infelizmente só isso é notícia neste país.

Mafalda disse...

Tenho excelentes referências de toda a obstetrícia, por exepriência própria e por muitas outras experiências que amigas minhas viveram.

Obviamente isto não significa que não hajam casos que não correram bem...

Mas a este nível comprovadamente um bom hospital público para se ter um bebé!

Anónimo disse...

Todos os casos clínicos graves são recambiados para o Porto, Gaia, Coimbra e Aveiro...Querem fazer estatísticas, é fácil, contabilizem o seguinte:
-o número de doentes que deram entrada e que voltaram a dar entrada no HSS após lhes ter sido dada alta clinica;
- O nº de doentes que deram entrada no HSS e foram enviados para outro Hospital;

Pode ser que dessa forma se consiga perceber a performance do HSS, agora que se façam as estatísticas correctas e não só aquelas que "convém" mostrar...

bc23 disse...

«Todos os casos clínicos graves são recambiados para o Porto, Gaia, Coimbra e Aveiro»... bem, todos!? Todos em certas especialidades, nas quais não há especialização na Feira... e nenhuns, noutras em que há maior especialização.

DLms disse...

todos não serão certamente...confesso que exagerei nesse post. Mas não posso ficar indiferente ao facto de quererem elevar "em bicos de pés" o HSS, quando não o é! Poderá ser que no futuro venha a ser uma referência, mas actualmente, diga-se o que se disser, é um hospital de convénio ao Governo, através das suas mirabolantes estatísticas. E cabe ao cidadão atento saber interpreta-las. Como feirense que sou, também gostaria de ter um hospital dos melhores que há no país. Mas sejamos objectivos e eectuem as estatísticas como deve ser. Só assim se poderá compreender melhor as carências que possui e poder melhorar a sua performance com o tempo. Assim, esta será a única forma de evitar dizer que o HSS é um rei que vai nú...

bc23 disse...

«hospital de convénio ao Governo»... isso são todos os hospitais EPE. E disto falo com conhecimento de causa... passo 8 horas do meu dia num hospital EPE (por sinal não é o HSS) com os mais elevados padrões de qualidade internacional, incluindo acreditação pelas normas britânicas... e mesmo assim a perspectiva do menor custo é o pão nosso de cada dia! Não venhamos com ilusões... isso acontece no HSS e em todos os hospitais que integram este sistema de gestão... mas não é por isso que vamos dizer que o hospital é mau... acontece que há cada vez maior rigor nos gastos que se fazem. E há que admitir, há gastos com terapêuticas absolutamente dispensáveis.... tudo tem de ser avaliado caso a caso.

Pedro disse...

Eu não sei quem é o sujeito que assina por anónimo, e também não sei o que é que tem contra o hospital! Em todos os hospitais DO MUNDO existem casos de sucesso e de insucesso! Já estive internado no hospital, e fui muito bem atendido! Da última vez que lá estive mandaram-me para casa porque não podiam fazer mesmo nada, só me receitaram uns medicamentos para as dores! Agora eu digo ao senhor Anónimo que deve ser daqueles que por uma dorzinha qualquer vão para o hospital entupir as Urgências, demoram horas a ser atendidos porque ficam para trás dos casos mais urgentes, e depois queixam-se dos hospitais que são uma porcaria. Já quanto aos médicos espanhóis, parece que você desconhece a falta de médicos que há em Portugal! Eu desconheço que haja uma unidade de queimados no hospital da Feira, mas para que precisamos dela? Só uma chega na área metropolitana do Porto, tal como outras valências que não são assim tão urgentes porque não há doentes suficientes numa zona para a ter, só se vai ter gastos!

Acrescento mais, se não tivéssemos o hospital, aposto que o senhor viria para aqui queixar-se de que não havia hospital numa cidade como a da Feira e etc etc... Como temos um hospital de qualidade, com valências muito boas, o senhor queixa-se. Em que ficamos?

Anónimo disse...

Infelizmente já estive no HSS, e certamente não foi por causa de "uma dorzinha qualquer"... Infelizmente, não foi possível resolver o meu problema só com "uns medicamentos para as dores", enfim...

Nunca disse que o HSS é uma "porcaria"; apenas quero que os indicadores de performance fossem bem efectuados para que se perceba
a realidade dos serviços, nada mais. Talvez dessa forma se pudesse contribuir para a melhoria do HSS.
Informo também que perderia a aposta, pois ao contrário de muita gente "não sou do contra".
Gostava de saber em que é que se baseia para afirmar que o HSS é "um hospital de qualidade, com valências muito boas"?!? não contando a sua experiência pessoal que, em termos estatísticos, se encontra aquém de consistir numa amostra viável.

Em relação aos estrangeiros que trabalham no HSS, julgo que esse é um problema que cabe ao Estado resolvê-lo, e a nós cidadãos cabe-nos lutar para que os nossos direitos sejam sempre salvaguardados. Revolta-me as filosofias que veem sendo adoptadas pelos sucessivos governos: formem-se advogados (custo a formar de 100€/ano) em detrimento de médicos (custo a formar de 5000€/ano), enquanto há dinheiros para tudo: Expo´s, Euro´s, TGV´s, OTA´s, Travessias sobre o Tejo...

Já agora, para o coment do Bc23 de 20 de Janeiro, a preocupação dos custos é um problema que nos ultrapassa, enquanto cidadãos e não gestores. A mim, enquanto cidadão quero ter um serviço de qualidade, onde os meus problemas são bem diagnosticados, onde não tenha de "receber alta à pressa", onde não tenha de voltar ao hospital porque
fui mandado para casa (por uma questão económica), e onde o serviço seja efectuado humana e condignamente. O segredo da boa gestão é conseguir conciliar tudo isto com a vertente do menor custo...

bc23 disse...

Qto aos médicos estrangeiros, e a ser verdade o salário que lhes é pago, até concordo com o HSS. Felizmente não tenho recorrido a nenhuma urgência nos últimos tempos, mas pelo que vou ouvido, os ditos estrangeiros são utilizados essencialmente para atendimento à pulseira verde... ou seja, aqueles que deveriam ser atendidos no médico de família e na maioria dos casos nem isso seria possível: um anti-inflamatório ou analgésico seria mesmo a solução doméstica. Nestes casos há mesmo que poupar no atendimento!
Não que os utentes mereçam, mas aquele não é mesmo o local... tudo isto acaba por ser uma forma de pressão para se mostrar ainda mais a estranha situação que se vive em Portugal.
Com a mentalidade de hoje, só quando a entrada na urgência hospitalar for feita obrigatoriamente após pré-assistência, ou seja entrada de ambulância, isto será resolvido... hoje não há mesmo condições, mas para muita gente o hospital continuará a ser sempre o local... só se esquecem que com isso não vão curar o filho, só lhe vão arranjar mais um motivo de preocupações nos dias seguintes.

Quanto à formação de médicos concordo plenamente... se para todos os outros cursos as vagas são praticamente livres, dependendo apenas da vontade e capacidade das universidades, porque a medicina é alvo de limitação... até se sabe a resposta!

«onde não tenha de voltar ao hospital porque
fui mandado para casa»
Só para dizer que a maioria das vezes isto não se deve só a economia... as guidelines mais recentes aconselham que só em último recurso o doente deva ficar no hospital, independentemente dos custos. A carga psicológica também pesa no momento da cura... e se possível, nada melhor do que estar em casa.

«O segredo da boa gestão é conseguir conciliar tudo isto com a vertente do menor custo...».. e já agora esquecer os princípios de funcionalismo público que ainda abundam nos hospitais nacionais.