domingo, 1 de julho de 2012

Ballet Contemporâneo do Norte apresenta "Conspurcados"


Na próxima quinta-feira, o Ballet Contemporâneo do Norte (BCN) estreia, no Cine Teatro António Lamoso, a sua novíssima produção. "Conspurcados" é a sétima produção do BCN desde que se iniciou a sua residência em Santa Maria da Feira, em Setembro de 2007, com o apoio e colaboração da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e da Feira Viva, EM, e a primeira encomenda da companhia ao bailarino/performer/coreógrafo Joclécio Azevedo. 
A companhia residente no Cine Teatro António Lamoso volta a apostar na casa de ensaios para a apresentação dos novos projectos. Assim, dias 5, 6 e 7 de Julho, pelas 21h30, as portas voltam a abrir-se para a estreia de mais uma peça que explora novas abordagens e uma curiosa linguagem, sem nunca abandonar a linha criativa base a que o BCN já nos habituou.
Há cerca de duas semanas tive a oportunidade de assistir a um ensaio, ainda em fase de maturação da peça, e trocar algumas palavras com coreógrafo e intervenientes. Pude constatar mais uma evolução do projecto, mantendo a linha orientadora base, que já lhe é característica, (re)explorando a linguagem adoptada ao longo dos últimos anos de uma forma surpreendente.
“Conspurcados” fica marcada pelo uso de novas abordagens de cena, de inovadores conceitos e de uma brutal interacção com a sala, pelo menos considerando este tipo de espectáculos. O som também terá novidades, mantendo o tradicional “falar dos pés” como linha orientadora, mas quanto a isso guardo a novidade para a estreia.


Este trabalho nasceu de um convite do BCN a Joclécio Azevedo para a criação de uma nova coreografia para a companhia. Tendo já acompanhado algumas das últimas produções da companhia e conhecendo a dinâmica que possuem enquanto grupo, Joclécio resolveu trabalhar a partir do potencial expressivo dos intérpretes, num trabalho que desafia as suas capacidades de serem transportados pelo movimento e de exercitarem a coreografia enquanto forma de reconfigurar qualidades de presença, criando diferentes tonalidades na plasticidade e mobilidade do corpo em cena. A partir do palco vazio, o trabalho coreográfico tem como base a produção de imagens físicas, de ritmos e de acções coreográficas numa perspectiva integrada. O espaço cénico é configurado a partir do reaproveitamento de roupas usadas e figurinos pertencentes à história da companhia, sem ter em vista uma revisão do passado, mas antes um processo de diálogo com fragmentos de memória, com possibilidades de transformação e com a tentativa de construção consciente de horizontes.

Joclécio Azevedo diz que «Conspurcados lida com a noção da procura de emancipação ao domínio das aparências. Corpos conspurcados, corpos impuros, corpos abjetos, corpos na iminência de se deixarem consumir pela voracidade das imagens que produzem. Há talvez também algo de belo na atração pelo excesso, pela procura de limites, pelo processo de interrogação daquilo que cada corpo projeta para o exterior, como se estivessem todos imersos num jogo de identidades deterioradas à procura de uma possível reconstituição. A possibilidade da escolha entre aceitar-se, rejeitar-se ou tornar-se indiferente a si próprio constitui o cerne desta espécie de jogo ou confronto entre interior e exterior, onde as possíveis fronteiras se diluem na entrega do corpo ao ato de jogar e ao ato de interagir com os outros, com o espaço, com as imagens ou memórias despertadas. No fundo o importante é tentar sobreviver ao jogo, reinscrever-se no mundo, recuperar o prazer de possuir um corpo, todo ele feito de dilemas.»

Ficha Técnica e Artística
Coreografia: Joclécio Azevedo
Interpretação: Susana Otero, Flávio Rodrigues e Pedro Rosa
Banda sonora e espaço cénico: Joclécio Azevedo
Figurinos: Joclécio Azevedo, Susana Otero, Flávio Rodrigues e Pedro Rosa
Desenho de Luz: João Teixeira
Produção: Luis Carolino
Duração: 60 minutos

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