quarta-feira, 4 de julho de 2012

Uma Caixa de Indefinições


Diz-se por aí muita coisa, fala-se nas esquinas e cafés de várias perspectivas… de facto, tudo leva a crer que a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira irá deixar cair o novo Auditório António Lamoso, reformulando por completo “A Villa”, o Pólo 2 da Caixa das Artes. Mas afinal de contas não estávamos perante uma oportunidade única nas próximas décadas (falava-se em 50 anos) para dar vida a uma sala obsoleta e que por mais funda que seja a intervenção de reabilitação não deixará de ser um triste remedeio e um desperdício de milhões de euros, por sinal atribuídos ao projecto e já contratados no âmbito do QREN?
É lamentável que 6 anos depois da primeira ideia concreta rumo a um Espaço de Criação e Promoção Artística para as Artes de Rua se continuem a estabelecer alterações e ajustes profundos ao projecto que curiosamente se encontra em fase de concurso público... que curiosamente tem financiamento garantido... que curiosamente ainda não foi capaz de iniciar funções.
Vamos voltar a deitar fora o trabalho das equipas que desenvolveram um projecto único e absolutamente vanguardista na área em que falamos? Para quê passar meses… diria anos a trabalhar num projecto, para o qual há financiamento comunitário aprovado, para depois se mudar tudo? Será apenas mudar?
Obviamente que não será esta mudança a ditar uma alteração no paradigma ou nas valências da Caixa das Artes que por sinal, na minha opinião, até dispensará um auditório convencional na generalidade dos seus produtos, mas continuamos a perder tempo e dinheiro…
Por outro lado, diz-se que a operação ambiental na Pedreira se mantém, mas sujeita a uma nova candidatura QREN. Que salgalhada, entendam-se senhores! Afinal de onde vinha o financiamento para o palco/jangada a instalar sobre as águas do lago da pedreira?
No que ao Pólo II do equipamento diz respeito, o Europarque parece ser, agora, o destino. Ao que parece há mais dinheiro deitado fora, mais tempo perdido… e pouca vontade de entrar em acção. Não diria que o espaço de Espargo não poderá ser solução, mas afinal já o era há 2 anos e foi rejeitado. Em apenas 24 meses mudamos completamente de ideias?
E agora, vamos voltar a projectar tudo? Vamos voltar a chamar os intervenientes e compreender as necessidades do conceito… ou vamos fazer tudo à pressa sem garantir a funcionalidade?
Aguardamos respostas e decisões, urgem explicações tácitas de uma matéria que há muito se afundou nas profundezas da Praça da República, sem direito a explicações e apenas vítima de adiamentos. Ao que parece a dinâmica esmoreceu… e volto a questionar, mesmo sem a estrutura física operacional, porque não existe já uma estrutura de gestão em acção, fazendo aquilo que a Caixa das Artes diz que se propõe a fazer?
Urgem respostas… urgem decisões… urgem redefinições de conceitos e, acima de tudo, urge acção! Basta de passividade num assunto que mais parece tomar o rumo do desperdício de fundos… e afinal parece seguir no alinhamento dos últimos meses de gestão autárquica: falta de rumo e ausência de coerência num alinhamento político, já para não falar no completo desconhecimento público dos processos. Urge energia… urge vontade… urge irreverência… urge trabalho!

Aproveito a questão para dar uma outra achega… sim, quanto ao Europarque. Não se pense para o local num espaço de serviços públicos como já por aí se sugeriu… não se projecte unicamente um espaço de ensino… venha a polivalência, o comprometimento com a indústria e o conhecimento e, acima de tudo, complete-se o projecto: criem-se estruturas de transportes para massas e instale-se capacidade hoteleira com os requisitos que os grandes congressos exigem. Depois disso voltamos a falar! Até lá não tentem fechar os olhos aos feirenses…

7 comentários:

Pedro disse...

Eu começo a perder um bocado a esperança da realização deste projecto! Se não me engano, neste projecto, inicialmente, optou-se por reabilitar o Matadouro, o que, a meu entender, daria uma nova vida a esta zona da Cidade da Feira que parece abandonada, e até começou a obra recuperando uma parte do complexo! Mais tarde foi apresentado um projecto megalómano com um edifício visualmente fantástico, a recuperar uma zona abandonada em pleno centro da Cidade! Mais recentemente, foram apresentados 2 pólos, o pólo do auditório, a caixa das artes, e o pólo a fazer em Espargo, na zona industrial, com zonas de desenvolvimento de projectos! Agora eu pergunto, onde irá acabar esta telenovela?

Bruno Costa disse...

Se este projecto não se concretizar poderemos acusar esta gestão autárquica de gestão danosa. Há cerca de 8 milhões de euros de financiamento aprovado e estamos em fase de concurso público, com 8 empresas a apresentar propostas para a construção dos 2 pólos, esta mudança de rumo, nesta fase, não é de todo aceitável.
E quando lemos as palavras do presidente nos jornais desta semana, argumentando que esta opção de mudança não poderá ser criticada, apenas fica mais patente a minha afirmação.

Pedro disse...

Desde o início, sempre apoiei a decisão de requalificar o Matadouro! Penso eu que seria a decisão mais barata! Podia ser lá a dita Academia, ou Polo I, dando nova vida ao lugar da Piedade, podendo haver uma parceria com a Oliva Creative factory, e aproveitava-se a linha de Comboio para transportar artistas, dando também uma nova vida à Linha do Vouga!
Quanto a dita Villa, poderia continuar com o novo ou requalificação do Cine-teatro e fazer o dito palco aquático!
Para quê complicar, com mais projectos? O 1º não era suficientemente bom?

Bruno Costa disse...

Os conceitos Caixa das Artes e Oliva são totalmente diferentes. As parcerias serão sempre em áreas muitos restritas e projectos muito específicos. Quanto ao Matadouro, não diria que não à tua perspectiva, mas temos um problema... é pequeno para o Pólo I, o que não impedia que o albergasse parte do que se prevê para essa estrutura.
Quanto à requalificação do CT, dada a estrutura do edifício, nunca seria eficaz e vanguardista, dando as devidas condições ao público e aos artistas, pelo que o desperdício dos fundos aprovados será um crime de proporções gigantescas.
De qualquer forma, se temos projecto e €€€€€€€ porquê complicar para dar vida ao Europarque com a Caixa das Artes? Quando, ainda por cima, está à vista que não será este o projecto para dar nova vida ao espaço... mas pode ser que um dia eu não seja o único a compreender que o Europarque só precisa de 2 coisas para ter "lotação esgotada": hotéis e transportes!

Carlos Sousa SJM disse...

Estamos num momento muito sensível a nível económico e penso que nos próximos 6 a 12 meses muito do futuro de Portugal se vai decidir. Se Portugal for obrigado a sair da UE... vamos andar na merda nos próximos 30 a 40 anos... tenho esperança que não nos vão deixar cair... mas se a Grécia cair a probabilidade de irmos atras é enorme.

Todas as entidades (camaras, empresas, ...) estão expectantes quanto ao desenrolar destes processos, aquilo que hoje é mau pode-se transformar numa catástrofe… nenhuma entidade consegue pedir dinheiro emprestado com taxas inferiores a 10% de juros ao ano… imagina se vamos ao charco.

António Cá Se Fazem disse...

Talvez te devesses perguntar a ti mesmo e aos senhores por quem na altura tão prazenteiramente desta a cara na causa anti CCTAR/Renzo Barsotti e o fim de uma era iniciada por Carlos Martins e a sua "cultura de supermercado"...
... Ou talvez te devas indagar porque razão, ou coincidência, no momento em que o projeto "Caixa das Artes" recua em S. M. da Feira, Guimarães anuncia orgulhosamente o seu novo projeto emblemático: a "Plataforma das Artes e da Criatividade"!
Dá que pensar...
Vai lá dar uma olhadela, pode ser que te esclareça.

Bruno Costa disse...

Cá se fazem... e já cá faltavam... comparar o incomparável.

Causa anti-CCTAR!? O que é isso?
Hum, continuo a dar as novidades do CCTAR e dos seus projectos. Apoiei e valido a saída do CCTAR da direcção artística do Imaginarius: que lufada de ar fresco tivemos.

Plataforma das Artes vs Caixa das Artes... uma única semelhança: a palavra Artes, que ainda por cima não são as mesmas! :P